O Comité Nacional de Bioética para a Saúde (CNBS) de Moçambique surgiu da necessidade de garantir a ética nas investigações científicas em seres humanos. Antes da sua formalização, a avaliação ética era feita por comissões ad hoc do Instituto Nacional de Saúde (INS) e da Faculdade de Medicina da UEM. A criação do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), em 1995, marcou um ponto de viragem, ao evidenciar a urgência de um organismo independente para avaliação ética, especialmente em estudos sobre malária e vacinas.
Em resposta, o CNBS foi oficialmente criado a 21 de Maio de 2002, com uma composição multidisciplinar envolvendo instituições académicas, de saúde, jurídicas, religiosas e da sociedade civil. Enfrentando limitações logísticas e orçamentais nos primeiros anos, o Comité adoptou medidas como a Taxa de Tramitação para garantir a sua sustentabilidade e independência.
Para lidar com o crescente aumento de pesquisas, em 2011 foram criados os Comités Institucionais de Bioética para a Saúde (CIBS), permitindo ao CNBS focar-se em estudos de maior complexidade. O reconhecimento internacional veio com o registo no Office for Human Research Protections dos EUA, em 2004.
Apesar dos avanços, o CNBS continua a enfrentar desafios, como a falta de financiamento estatal directo. A obtenção de sede própria em 2019 e o investimento em formação ética contínua têm fortalecido a sua atuação. Em 2023, um marco importante foi a aprovação pela Assembleia da República da Lei nº 6/2023 de 8 de Junho, Lei da Investigação em Saúde Humana, que formalizou a importância do CNBS, consolidando-o como referência ética na investigação em saúde em Moçambique.